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Como redigir o prefácio de um livro?

O prefácio de um livro é um elemento fundamental na composição da obra literária. Por isso, ele não pode ser negligenciado. O momento de abrir a leitura e degustar o que está por vir é uma ótima oportunidade para cativar o leitor e fazê-lo criar boas expectativas em relação às páginas seguintes.

Mas você, autor (ou aspirante), sabe como redigir um bom prefácio? Imagina que sua autoria possa ser atribuída a outra pessoa? Conhece os elementos que devem estar presentes em um prólogo bem feito e como o livro ganha com isso?

A seguir, vamos responder às perguntas acima! Mas, antes, queremos conversar um pouco sobre esse elemento e o que o torna tão significativo no contexto de uma obra. Continue a leitura!

O prefácio de um livro e sua importância

O prefácio é, literalmente, aquilo dito antes do livro. Em latim, a palavra “prefácio” significa “dito (fatio) antes (prae)”. Por isso, tal texto introdutório costuma ser relativamente curto, já que precede a obra e tem o intuito de preparar o leitor para o que virá em seguida.

O responsável pela tarefa de redigi-lo pode ser tanto o autor do livro quanto outra pessoa escolhida por ele — por ter atributos que a qualifiquem para falar sobre a obra com propriedade.

Muita gente “pula” esse texto inicial e parte direto para os capítulos principais do livro, sendo que alguns preferem, inclusive, ler o prefácio no final. Trata-se de um gosto pessoal. Contudo, essa seção ganha seu valor no momento em que orienta a leitura da obra, pois evidencia recortes, contextualiza ideias e provoca reflexões que o leitor poderia não ter durante o processo.

Mas o que deve haver em um prefácio bem redigido, que efetivamente cumpra seu papel — e não o contrário (como fazer o leitor sair correndo)?

As funções de um bom prefácio

Caso você seja convidado a escrever o prefácio de uma obra ou pretenda se empenhar em escrever o de seu próprio livro, saiba que é importante seguir determinadas prerrogativas. Abaixo, mostraremos algumas dicas importantes para preparar um.

Apresentar o autor e sua história

Essa é a principal função do prefácio se o autor ainda não for conhecido do público ou, ainda, se estiver lançando sua primeira obra. Nesses casos, solicitar a algum escritor mais prestigiado que apresente seu trabalho é abrir as portas para o público. 

Com o aval do prefaciador, os leitores terão certa garantia de que o livro merece ser lido. Isso acontece tanto em textos acadêmicos — quando um novo autor pede a tutela de um professor renomado — quanto em livros de poemas, crônicas ou um romance.

Ao redigir o prefácio, conte um pouco da vida do autor (sua origem e formação, além da composição de sua família, por exemplo) e de fatos relevantes que o levaram à escrita daquele livro.

Introduzir a obra

A função básica do prefácio de um livro, qualquer que seja seu gênero ou estilo e independentemente do fato de o autor ser ou não consagrado, é expor, isto é, apresentar o texto ao público. Em primeira instância, pense nisso como uma “vitrine” para a obra, explicitando para o leitor seus principais aspectos e objetivos e convidando-o a seguir sempre em frente na leitura, valendo-se de uma boa dose de isenção.

Jamais faça críticas no prefácio! Nesse sentido, é importante que o redator apresente, de forma sucinta, o conteúdo do livro, seu formato (se são capítulos, ensaios, contos, fantasia), seus temas principais e os paralelos.

Contextualizar a escrita

Outro aspecto interessante do prefácio de um livro é sua capacidade de construir, de antemão (pelo menos em parte), o clima e o contexto nos quais se insere a obra. Um livro acadêmico, por exemplo, pode ser contextualizado pelo prefácio no sentido de alinhar as expectativas do leitor com as teorias que serão desenvolvidas e a situação sócio-histórica na qual o texto principal se insere.

Já um romance ficcional, em outra análise, necessita de um prefácio que contextualize as condições em que a obra foi escrita, a fim de elucidar ao leitor as prerrogativas ficcionais nas quais ela se baseia.

Provocar um interesse pela leitura

Não é exagero reforçar: o prefácio de um livro não deve se valer de análise crítica em nenhum nível. Em contrapartida, é possível e recomendável que o redator provoque o leitor a tomar determinadas posturas de cunho analítico durante a leitura da obra.

Nesse momento, o leitor está criando expectativas sobre o que vai encontrar. Por isso, o que o autor do prefácio pode fazer é orientar a leitura e pinçar elementos que atraiam a atenção sem, contudo, interpretar ou fornecer teorias analíticas sobre o texto.

Falar sobre suas inspirações

Se for você o autor do prefácio de seu próprio livro, aproveite esse momento de interação com a pessoa que o lê e exponha para ela de onde partiu a inspiração para escrevê-lo. Quando se trata de uma obra ficcional, vale a pena comentar algumas referências em que você tenha se baseado, por exemplo. Jogue limpo com o público, pois, caso contrário, ele pode desconfiar de algum tipo de cópia!

Não é nenhum pecado deixar claro, logo no início do texto, que a narrativa tenha sofrido influências. George R. R. Martin (As Crônicas de Gelo e Fogo) não nega ter sido influenciado por J. R. R. Tolkien (O Senhor dos Anéis). É o próprio Martin quem enuncia:

Podemos inventar todas as definições de ficção científica, fantasia e terror que quisermos. Podemos estipular nossos limites e criar nossos rótulos, mas, no fim, ainda é a mesma velha história sobre o coração humano em conflito consigo mesmo.

Tenha sempre em mente todos esses aspectos ao se propor a desenvolver o prefácio de um livro — ou a orientar a escrita dele por outra pessoa, seja em uma obra de autoria própria ou escrita por terceiros. Assim, essa seção cumprirá seu objetivo, que é ser aquilo dito antes do escrito.

E então? Resta alguma dúvida sobre a escrita do prefácio? Quer acrescentar uma dica ou compartilhar sua experiência? É só deixar nos comentários! Será um prazer conversar com você.

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