José Leonídio lança segunda obra da pentalogia “A Casa dos Deuses”

Nascido no subúrbio de Cavalcanti, no Rio de Janeiro, o médico e professor José Leonídio lança o segundo livro da pentalogia A Casa dos Deuses sobre a memória dos Tupinambás, a obra Os Guardiães. Já autor dos livros A Casa dos Deuses – Portais da Liberdade, Facebookeando, Enredando Ilusões e A Raposa do Cerrado, todos pela Autografia, José Leonídio já criou e desenvolveu diversos temas de enredo para escolas de samba e blocos do Rio de Janeiro.

Os Guardiães se remete a luta de Ângelo/Ogum Onyrê, filho de e Nlá Eiyê e Dandara, herdeiro do compromisso de seus pais com o Tupinambá Aimbirê na preservação de sua cultura e da Floresta da Tijuca (a casa dos deuses). A derrubada da Floresta para plantio do café, principalmente pelos ingleses, trouxe como consequência a diminuição da água das nascentes, com repercussão no abastecimento da cidade. A epidemia de febre amarela também acometeu o Rio de Janeiro naquela época, em virtude dos desequilíbrios ecológicos.

Em entrevista ao Blog Autografia, José Leonídio conta mais sobre a nova obra: “A pentalogia A Casa dos Deuses é fruto de 18 anos de pesquisa sobre a história da Guanabara na ótica dos índios Tupinambás, do século XVI ao XX. Aborda, em forma de romance, a memória dos nativos Tupinambás, que tinham a Guanabara como um lugar sagrado onde Iara e Tupã, seus Deuses, moravam. Os personagens são na sua maioria representativos das épocas a que se refere cada volume, que, no estilo literário realismo mágico, mistura realidade e ficção. Os Guardiães está dividido em 19 capítulos e epílogo, correspondendo ao século XIX, em torno de 1850”.

A inspiração para José escrever o livro surgiu ao autor passar pela estrada  Grajaú-Jacarepaguá, no Rio de Janeiro: “Me perguntei: quem manteve os nomes originais em Tupi de diversos bairros da cidade? A partir deste questionamento, comecei a pesquisar as literaturas escritas na ótica dos descobridores, principalmente narradas pelos Jesuítas e também dos historiadores portugueses dos séculos XVII e XVIII. Associei a estes os relatos de sobreviventes entre os nativos e também os relatos de diários de bordo dos navegadores Franceses, entre outros”, explica o autor.

Para José, publicar um livro é sempre como levar um novo filho ao mundo: “No caso da Pentalogia, são cinco irmãos dos quais dois já se desgarraram de mim. Ainda tenho mais três volumes da Pentalogia a publicar. Paralelamente um outro romance relacionado ao subúrbio da linha auxiliar Cavalcanti que se passa na década de sessenta do século passado e que está com 70% escrito, As Safiras de Candinho. Minha aposentadoria como professor da Faculdade de Medicina abriu espaço para este meu lado literário”, explica.

O livro Os Guardiães, apesar de retratar uma história de época, faz um paralelo com os acontecimentos recentes da humanidade: “a obra traz no seu contexto uma grande semelhança com o que está acontecendo hoje, com a degradação da natureza, o desrespeito a Mãe Terra. O fenômeno das queimadas na Amazônia é o mesmo que destruiu a floresta da Tijuca nativa. A seca, as doenças, entre elas a febre amarela, a falta de chuvas e de água potável naquela época (século XIX)  parece ser espelho para o Brasil de hoje, numa proporção gigante, de tudo que a Guanabara passou pela mão do homem dito civilizado, até que a floresta foi ressuscitada”, finaliza.

O livro A Casa dos Deuses – Os Guardiães será lançado na Bienal do Livro Rio 2019, no Estande R32 da Autografia, situado no Pavilhão Verde do Riocentro. O evento acontece no dia 7 de setembro, sábado, a partir das 13h30.

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