O escritor Paulo Ednilson estreia em solo literário com a obra Nascido em Tibiriçá, um livro que transita entre a memória e a história, entre a prosa e a poesia, e que mergulha o leitor numa narrativa intensamente pessoal, porém carregada de elementos universais. A autobiografia romanceada revela o olhar de um autor que, durante anos, dividiu-se entre as palavras e outras profissões, como a carreira militar e o Serviço Social.
“Escrevo desde que percebi que o que guardo comigo é muito e a vida é pouca”, confessa Ednilson, ao falar sobre sua trajetória como escritor. Embora só agora publique seu primeiro livro solo, ele já participou de diversas antologias, entre elas Poesia do Brasil, volumes 5, 7, 9 e 11. “Sim… me lanço em prosa, mas sou poeta”, diz, reafirmando a veia lírica que permeia seu estilo.
Nascido em Tibiriçá propõe-se a mais do que relatar a vida do autor. É uma narrativa centrada na instituição da família, mas entrelaçada aos acontecimentos históricos que moldaram a trajetória do próprio autor e de seus antepassados. “Tem a intenção de contar uma história que tem a instituição família no centro da narrativa mas, também, tem a pretensão de levar o leitor para dentro dos fatos históricos que afetaram, particularmente, a vida da família do autor/narrador ao longo de sua vida”, explica.
A estrutura do livro acompanha a vida do protagonista desde a infância até a fase adulta, conduzindo o leitor em uma espécie de viagem no tempo: “O leitor vai encontrar o tempo do autor no enredo da narrativa e vai viajar com ele até o fim”, afirma Ednilson.
A inspiração para a obra veio, como não poderia deixar de ser, da vivência familiar e dos cenários que moldaram a formação do autor. “A inspiração vem dos rios Paraná e Paraguai, do Pantanal Sul Mato-Grossense e, ainda, da voz e do ritmo de Maria José Dupré narrando uma história de família no seu romance intitulado Éramos seis.” No entanto, é na figura dos pais que a obra encontra sua maior força poética: “É a vida deles que modula do princípio ao fim a história que narro.”
O processo de escrita se deu entre 2003 e 2006, mas o manuscrito ficou desaparecido por anos, até ser reencontrado por acaso, em 2023. “Interessante destacar que perdi o texto por um longo tempo e só o reencontrei, por acaso, com uma das minhas irmãs”, relata.
A pesquisa também foi uma parte essencial do processo criativo, alimentada por visitas à Biblioteca Nacional e leituras de periódicos de décadas passadas. “A narrativa é, às vezes, apoiada em fatos históricos mas, todavia, tem muito do que me lembro das interações que tive com os mais próximos: pai, mãe, tios, avós.”
Sobre o sentimento de publicar sua primeira obra, Ednilson é enfático: “É como eu mesmo descrevo na ‘orelha’ do livro: ‘… a escrita me permite, agora, rasgar a barriga da baleia que me conduz e, liberto, o meu primeiro encontro é com você leitor’.” A metáfora do nascimento literário se completa na imagem do voo: “Escrever e sustentar a narrativa na primeira pessoa me deu a sensação de, maduro, estar abandonando o casulo pronto para voar.”
Com expectativa de sucesso, o autor deseja que sua obra encontre leitores atentos e sensíveis. “Espero que o meu Nascido em Tibiriçá encontre ninho na cabeceira de muitos leitores.”
Encerrando a entrevista, Paulo Ednilson deixa uma mensagem aos leitores: “Deixo ao leitor um convite para ouvir, durante toda a narrativa, a voz sincera e, às vezes, explicitamente emocionada, deste autor que conta, em boa prosa poética, uma história que traz, com certeza, um pouco de todos nós.”
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