Como publicar um livro: veja diferentes maneiras

Publicar um livro já foi algo mais difícil. Com as mudanças tecnológicas das últimas décadas, tornou-se possível para mais pessoas produzir um arquivo de texto bem diagramado, pronto para ir para a gráfica, com resultados de impressão bem próximos de livros feitos por editoras famosas.

Ter um livro publicado não é mais um sonho distante, seja com finalidades artísticas ou técnicas. Se essa publicação é um desejo, um sonho ou uma necessidade, não importa. O fato é que, nos dias de hoje, pode-se realizar qualquer um deles, sem grandes transtornos.

E há alguns modos de publicar um livro, sem depender daquele mitológico aceite de uma editora multinacional, como vemos nos filmes. Descubra conosco como publicar um livro e confira algumas opções que podem atender você.

Grandes editoras

Muita gente já viu em filmes, ou soube por amigos, que alguém enviou um “manuscrito” ou “original” para um editor famoso e ficou esperando a resposta. O profissional apaixonado por bons textos dirá que sim, e então um futuro best-seller passará a existir. Mas não é bem assim que isso acontece.

O verdadeiro esforço do escritor está na pesquisa. A sua postura profissional exigirá que você conheça diferentes linhas editoriais, se entenda com as editoras que julgar mais adequadas ao gênero da sua escrita e faça uma leitura do mercado para conhecer perfis e tendências.

Também é preciso ter flexibilidade para adaptar (ou até mesmo reescrever) o seu trabalho de   acordo com a preferência do público e apelo comercial. Os resultados são recompensadores, pois a editora exercerá uma grande colaboração em divulgação e vendas que podem te trazer sucesso.

Apesar disso, esse é o modo mais difícil e tortuoso de conseguir publicar. Mesmo grandes autores optaram por outros jeitos de dar à luz suas obras, antes de chegar às mãos da editora, especialmente se ela for grande. Se quiser tentar, provavelmente precisará ter bastante paciência.

Editoras de pequenas tiragens

Alguns autores menos comerciais escrevem apenas para registrar seus pensamentos e obter uma forma de realização pessoal, sem a necessidade de fama. É o caso de muitos poetas, jovens e amadores que não querem ou não podem se dedicar a grandes trabalhos de divulgação e vendas.

Já que todo bom trabalho escrito merece ser publicado, que seja em uma tiragem pequena. Assim, o gasto com a impressão será menor e você ainda poderá publicar um livro para chamar de seu, mostrá-lo para seus amigos e familiares ou atender nichos de mercado com baixa demanda.

Ainda que a intenção nessa hora não seja lucrar, os processos de produção dessa opção são parecidos com a publicação em grandes editoras. Talvez você não encontre tantas exigências, mas seu trabalho também terá que ser condizente com o mercado e a empresa que você procurou.

Para isso, é necessário estar disposto a enviar manuscritos, solicitar orçamentos e filtrar o conteúdo de acordo com o que seu editor considerar comercialmente atraente.

Autopublicação

Faça você mesmo. Esse é o lema de um outro modo muito conhecido para aqueles que sabem como publicar um livro ou querem ter total controle sobre todas as etapas de produção da sua obra.

Você mesmo escreve, se responsabiliza por toda a estrutura do livro, revisa, planeja o projeto gráfico, diagrama, desenha a capa, faz o acompanhamento gráfico e produz lançamentos, releases, etc. Além disso, terá de orçar e pagar tudo o que for necessário para que a obra exista.

No entanto, há uma questão a ser resolvida: e se você não souber fazer todas esses serviços? E se quiser muito publicar seu livro, seja ele literário, técnico ou outro, mas não tiver condições de assumir todas as etapas de produção?

Nessa opção, você pode aprender todas as respostas na prática, se desafiar bastante e ainda economizar ao resolver, sozinho, a maioria dos serviços que são geralmente terceirizados no processo de publicação de um livro. Caso contrário, também é válido procurar por ajuda.

Em outros tempos, autores hoje famosos se autopublicaram, com dinheiro do próprio bolso e material que eles mesmos produziram, mas talvez não seja mais necessário que você se estresse tanto para publicar. Porém, nada o impede de tentar.

Editora independente

Por que não buscar os serviços de uma editora independente que possa publicar seu livro? Esse tipo de alternativa é cada vez mais comum e muito buscado por pessoas que querem ver suas obras publicadas, sem aguardar a resposta de uma grande editora durante anos.

O texto original é de sua responsabilidade, mas a editora projeta, diagrama, revisa, manda imprimir (ou imprime) e entrega tudo pronto, por um preço que costuma ser bem justo, e em alguns casos, até de graça.

Essa é, hoje, uma opção melhor e menos trabalhosa do que a autopublicação, com bons resultados e acompanhamento profissional. Mas pesquise bastante antes de contratar um serviço assim.

Procure por livros lançados anteriormente pela mesma empresa, observe se gosta do material, tire todas as dúvidas sobre as etapas e os processos de produção, veja se será realmente atendido.

Nem toda editora independente está aberta a esse tipo de solicitação, mas esteja certo de que será mais fácil encontrar uma boa oportunidade.

Impressão sob demanda

Se você já decidiu que vai publicar, mas não sabe como serão as vendas e não tem muito dinheiro para investir, fique calmo. A solução para seu problema está na impressão sob demanda.

Como o próprio nome já diz, essa opção evita gastos desnecessários, pois providencia os serviços de impressão apenas quando solicitado, em vez de acumular várias tiragens que podem ou não ser vendidas.

Dessa forma, cada vez que alguém solicitar uma compra da sua obra, apenas um livro será feito e enviado. A desvantagem está no preço desse único exemplar, já que as impressões unitárias não costumam ter valores competitivos e também geram um gasto maior com a inclusão do frete.

Outro problema a se considerar é que, ao contrário das editoras, as agências responsáveis por esse tipo de serviço não se responsabilizam pela diagramação, arte da capa ou revisão, restringindo-se apenas às funções de uma gráfica.

Grandes tiragens totalmente independentes

Publicar de forma 100% independente exige um certo trabalho, além de muito investimento do próprio bolso. Por isso, essa opção pode ser desafiadora para os autores de primeira viagem.

Todo o trabalho e responsabilidades que seriam assumidos pela editora são, no caso, repassados ao autor. Isso exigirá muito conhecimento e habilidades por parte dele, ainda que contrate outros profissionais, para avaliar se os todas as etapas serão desempenhadas de forma satisfatória.

Caso consiga realizar tudo sozinho (diagramação, revisão, documentação, supervisão do trabalho da gráfica, distribuição e divulgação), você mesmo deverá definir a tiragem (que provavelmente não será nada barata) e o preço final.

Além disso, seu livro não possuirá ISBN, a não ser que você se cadastre no site oficial como editor e pague por isso.

Para não sair no prejuízo nesse processo tão caro, tenha em mente que as grandes tiragens são mais recomendadas para quem já possui um público preparado para comprar o livro, como palestrantes, professores, entidades religiosas e blogueiros de sucesso.

E-book

A cada dia, mais leitores se interessam pelas obras digitais, principalmente após a popularização do Kindle e outros aparelhos similares. Essa plataforma, apesar de recente, já promete ser uma boa opção para quem quer seguir a carreira literária, mas não tem muito dinheiro.

Isso porque essa alternativa reduz custos ao dispensar o papel, o que já elimina os processos de impressão e distribuição da sua lista de gastos. Além disso, com o acesso facilitado à internet e editores de textos, qualquer escritor competente é capaz de publicar sua própria obra.  

Para isso, você terá de escolher um formato com boa capacidade de adaptação, como Word ou PDF. Atente-se para que seu tamanho não ultrapasse 50MB, pois isso poderá atrapalhar a conversão do seu conteúdo quando for publicá-lo.

Depois disso, a tarefa de disponibilizá-lo em primeira mão para os leitores fica por conta da internet, que abriu um mundo de possibilidades para escritores independentes. O que nos leva ao próximo tópico.

Publicar pela internet

Se você é um escritor iniciante, não tem muita experiência ou não sabe muito bem como publicar um livro, quer cortar gastos e escolheu o e-book para registrar seu conteúdo ou história, a publicação online pode ser uma solução adequada e simples.

Para isso, existem vários recursos (incluindo programas que transformam seu texto em e-books automaticamente) que facilitam todo o seu trabalho. Os mais conhecidos são:

Kindle Direct Publishing

Desde sua chegada ao Brasil, a Amazon vem dominando o mercado das obras digitais. Além de contar com uma plataforma muito moderna e prática para publicar o seu conteúdo automaticamente, ainda é possível disponibilizá-lo para a venda em todas as lojas online do site.

O Kindle Direct Publishing, é um sistema sem custos, que adapta o seu material para ser lido nos aparelhos e aplicativos gratuitos da Kindle. Seguindo alguns passos, você disponibiliza seu material com rapidez, define seu preço e em quais países será vendido.

É importante lembrar que, nesse processo, a revisão, diagramação e a maior parte da divulgação serão por conta do autor. Embora o sistema disponibilize um editor próprio para a criação gráfica de capas, esta etapa também é protagonizada pelas preferências do criador do livro.

Por fim, o autor pode optar por receber 35% ou 70% do valor referente aos direitos autorais. Ao escolher a última opção, o  livro não poderá ser disponibilizado em nenhuma outra livraria digital durante 3 meses. Ao final desse período, o contrato deve ser (obrigatoriamente) renovado.

Publique-se

Essa iniciativa promovida pela Saraiva coloca seu livro à venda no site da loja. No geral, o funcionamento do sistema da Publique-se é similar ao da Amazon, com a diferença da solicitação de uma assinatura física do contrato.

O e-book então só é disponibilizado online (para vendas) após o envio da documentação assinada via Correios.

Além de oferecer um manual para autores (que é útil até para quem não pensa em publicar por lá), a plataforma não exige exclusividade e garante a gestão de títulos em tempo real. O autor fatura até 35% do valor das vendas, pagos até 90 dias após o mês contabilizado.

Kobo

Outra opção brasileira é uma parceria da Livraria Cultura com a Kobo, uma marca fabricante de leitores digitais. A Kobo Writing Life é mais uma plataforma que permite a publicação de seu livro sem custos, mais ou menos da mesma forma que acontece com a Amazon e Publique-se.

No entanto, há um diferencial importante para quem está começando. Como publicar um livro pela primeira vez pode ser um processo complicado, a plataforma oferece o serviço de formatação automática em ePub. Você envia seu documento e, em até 72 horas, o livro está disponível.

Ao optar por publicar pela Kobo, o escritor fica com 70% do valor total das vendas, mas nem tudo são flores: o envio do pagamento só é realizado duas vezes ao ano.

Escrytos

Criado pela editora Leya e originado em Portugal, o Escrytos é uma plataforma que não só permite a publicação, mas também a venda de livros em sites renomados, como: LeyaOnline, Apple Store, Barnes & Noble, Amazon, Fnac, Gato Sabido, Google, IBA, Livraria Cultura, Kobo e muitas outras.

Apenas uma publicação no Escrytos já torna a sua obra disponível para tantas lojas. O valor a ser recebido é uma porcentagem de 25% sobre as vendas líquidas feitas em todas essas livrarias online, e o autor pode monitorar todas as transações em tempo real.

Nessa opção, a conversão para ePub e a elaboração de capa são recursos oferecidos gratuitamente. Demais serviços como revisão, fornecimento de ISBN, press release e parecer editorial também são disponibilizados na plataforma, apesar de pagos.

Wattpad

Diferente das outras opções citadas, o Wattpad não é exatamente uma plataforma especializada no recebimento de manuscritos (embora você também possa publicar seu trabalho nela), mas sim umas das maiores e mais conhecidas redes sociais literárias do mundo.  

Se você é um escritor que adora as possibilidades da internet, quer trabalhar de forma colaborativa ou apenas deseja compartilhar o que escreve sem se preocupar exatamente com vendas e lucros, essa pode ser uma alternativa interessante de se experimentar.

O propósito desse site não inclui a autopublicação de e-books com fins comerciais, mas sim a troca de informações. Todo o conteúdo publicado é gratuito e de livre acesso para todos os logados. Assim, você pode escrever seu livro online e interagir com os leitores a cada capítulo.

Engana-se quem pensa que grandes oportunidades lucrativas não podem sair daí. Os textos de sucesso costumam chamar a atenção de muitas editoras famosas, o que pode abrir portas para um convite de publicação. Nesse caso, é só remover o seu texto do site e pronto.

Widbook

Se esperar pela sorte de ser descoberto por uma editora não parece muito atraente, uma versão brasileira do Wattpad permite que você receba doações de leitores que gostarem de seu livro. O Widbook nasceu em São Paulo, mas já ganhou projeção global, com mais de 200 mil membros.

Trata-se de mais uma rede social para escritores e leitores, na qual quem escreve libera a visualização das obras para todos os integrantes da rede enquanto elas são escritas. Você também pode receber feedbacks e criar uma plataforma colaborativa, como acontece no Wattpad.

As doações são recebidas via Paypal, e o cadastro na plataforma é bem fácil. Você só precisa fazer seu login diretamente com o Facebook ou inserir alguns dados pessoais na página inicial.

Clube de autores

O Clube de autores é uma outra referência para escritores independentes em toda a América Latina. O cadastro é gratuito, bem como todas as publicações feitas por cada autor.

Ao logar no site, o escritor tem acesso a todas as instruções para redigir seu conteúdo, criar capa, contracapa, orelhas de sua obra e disponibilizá-la para venda em várias livrarias online como Amazon, Apple, Livraria Cultura e Google Play. Tudo isso sem pagar nada.

Se preferir, o próprio sistema dessa plataforma já possui um editor que facilita o trabalho de transformar arquivos de Word ou PDF em formatos para impressão. Nesse caso, o livro será impresso sob demanda e, mesmo depois de publicado, é possível fazer alterações no conteúdo.

Existem centenas de alternativas online para publicação, tanto de livros digitais quanto físicos (se você desejar exemplares impressos), até mesmo sem depender da intervenção ou serviços de terceiros.  

Além dos websites que oferecem essa opção, os escritores mais didáticos têm uma possibilidade a mais: criar um livro digital, material em PDF ou uma estrutura para assinantes, vendendo acesso ao seu conteúdo.

Além de garantir total independência para seu trabalho, esses infoprodutos são uma boa solução para quem quer produzir livros instrucionais ou materiais de estudo sem pagar comissões. Essa nova maneira de vender informações é, ainda, uma forte tendência para os próximos anos.

Para isso, você pode criar um blog, investir na criação de um website ou contatar uma agência especializada na montagem de estruturas de vendas online.

Como você pode ver, existem várias formas de publicar seu livro. O importante é que você conheça as opções que estão próximas de suas necessidades e saiba como escolher um caminho para a publicação de sua obra. Pesquise, converse com pessoas que já publicaram e encontre seu lugar.

Por fim, entenda que a carreira de escritor tem seus obstáculos, e se você ama o seu trabalho, não deve deixar que isso te desanime. Em geral, é difícil publicar e ser lido, mas os prazeres superam (e muito) as dificuldades dessa jornada.

Agora que você já sabe como publicar um livro, não deixe de ficar por dentro do universo da escrita. Siga-nos nas redes sociais e continue descobrindo novas maneiras de redigir, estruturar seus livros, conquistar leitores e fazer muito sucesso!

4 autores inspiradores para quem quer escrever um livro

A leitura tem sempre um papel primordial como suporte na hora de escrever. Mas não importa o quanto você leia ou pratique a sua redação, não há escritor iniciante ou experiente que já não tenha passado pela síndrome do papel em branco.

A falta de inspiração ou de referências para criar um material novo não é apenas um acontecimento indesejado, mas sim uma parte natural do processo de escrita. Por isso, é importante que você conheça alguns autores inspiradores para ajudar no seu trabalho e estimular novas ideias. how to recover files not in recycle bin

No post de hoje, você vai conhecer 4 escritores que influenciam e encantam outros escritores. Confira!

1. Fernando Pessoa

Fernando Antônio Nogueira Pessoa foi o poeta, escritor e representante mais importante do modernismo em Portugal. Além de ter traduzido várias obras do inglês para português, e vice-versa, o autor usou muitos tipos de pseudônimos diferentes em suas obras.

Isso quer dizer que alguns de seus trabalhos foram assinados com seu próprio nome e outros com heterônimos diversos. Cada um deles tinha uma personalidade e estilo literário próprio, o que pode servir como um manual para quem deseja adaptar sua linguagem para públicos diferentes.

2. Clarice Lispector

Entre os autores inspiradores mais famosos do mundo, eis uma poderosa fonte para aqueles escritores que desejam inovar.

Clarice Lispector é uma das autoras e jornalistas mais apreciadas da literatura modernista brasileira. Isso porque, com sua abordagem intimista, ela conseguiu inserir elementos sentimentais de forma criativa e única em seus textos. how to recover a file that is shift deleted

Priorizando a expressividade e a liberdade do pensamento, a introspecção marcante da escritora é algo que deve ser observado por todos aqueles que precisam de uma inspiração mais original para trazer sensibilidade ao texto que desejam escrever.

3. Gabriel García Márquez

O colombiano é um dos autores inspiradores mais conhecidos no mundo. Famoso por Cem anos de solidão, uma renomada obra de realismo mágico, foi vencedor do Nobel de Literatura em 1982.

O escritor, jornalista e editor é um exemplo de disciplina e foco, já que, para criar sua obra-prima, costumava se desligar do mundo diariamente para exercitar a imaginação que marca seu trabalho e também para explorar ao máximo o seu potencial criativo.

4. Oscar Wilde

Além de poeta e escritor, Oscar Wilde também foi um aclamado dramaturgo de origem irlandesa, que se dedicou a diversos gêneros literários. Devido à sua especialidade em criar constatações caracterizadas pela ironia, cinismo e sarcasmo, ele influencia diversos autores até hoje.

Os escritores mais artísticos, que buscam por roteiros originais e personagens marcantes, podem se inspirar em suas novelas, poesias, contos infantis e dramas para escreverem suas próprias histórias.

Sabemos que criar um livro é um processo difícil e complexo, que depende de muito esforço mental, energia e boas referências. Por isso, esperamos que esta pequena lista ajude você a identificar e trabalhar as semelhanças desses autores com o seu próprio jeito de escrever.

Gostou do post? Conhece algum outro escritor que mudou o universo da literatura? Aproveite a oportunidade para nos contar quais são os autores inspiradores que mais influenciam o seu estilo e deixe seu comentário!

Conheça as teses do conto de Ricardo Piglia

O escritor e teórico literário argentino Ricardo Piglia transita tranquilamente entre a crítica, o conto e a novela. O autor de Nombre falso (livro de contos) escreveu sobre o gênero conto em diversas ocasiões, expondo duas teses sobre ele. Nesse post vamos explicá-las de modo que possam ser aplicadas no desenvolvimento de um conto feito por um escritor iniciante.

Ricardo Piglia, em um de seus textos, mais precisamente em Critica y ficción, escreveu o capítulo Tesis sobre el cuento, no qual expõe duas teses partindo de uma anedota registrada por Anton Tchekhov em algumas anotações: “Em Montecarlo, um homem vai ao cassino, ganha um milhão, retorna à sua casa e suicida.” Eis o esboço de um conto.

No excerto de Tchekhov, o jogador obtém um montante volumoso de dinheiro, no entanto, acontece um fato improvável: suicida-se. São, de fato, duas histórias e importa mostrar como elas se entrelaçam. Piglia analisa como seria relatada esta anedota (ambas as histórias) pelas visões clássica e moderna.

1ª tese: O conto conta sempre duas histórias 

O conto sempre conta uma história visível e outra oculta, e esta última é narrada de forma enigmática. A cada história corresponde um sistema de causalidade (diferente). As partes imprescindíveis do conto intervêm em ambas as histórias e são utilizados de forma diferente em cada uma.

A forma clássica do conto produz o efeito surpresa, quando é revelado o final da história oculta. Tal desenlace convida a uma nova leitura, focalizada na observação da segunda narrativa, a qual esteve todo tempo implícita. Algo semelhante acontece nos romances policiais ou no gênero suspense.

2ª tese: A história oculta é a chave de leitura da forma do conto e suas variações.

O autor explica que a versão moderna do conto descarta o final surpresa, relata duas histórias como se fossem uma e trabalha a tensão entre elas, sem nunca solucioná-la.

As múltiplas possibilidades de um final são encarregadas de dar sentido a esta forma narrativa. Para além do desfecho escolhido pelo escritor, o interessante é que o leitor deve desdobrar-se para resolver a história.

No conto de Jorge Luis Borges, La forma de la espada, o narrador do relato visível ouve um testemunho do protagonista da história secreta. No desfecho emerge o oculto (a história secreta). Deste modo, se narra uma história para dar lugar a outra. Diferentemente do conto de Tchekhov, No mar da Crimeia, no qual as histórias pareciam ser uma.

Algo semelhante acontece em Why Don’t You Dance?, conto de Raymond Carver, já que, por meio de sinais, é permitido ao leitor fazer suas próprias conjecturas, deixando que imagine as causas ocultas. Por exemplo, qual é a razão que leva o dono da casa a colocar os móveis no pátio, na mesma disposição que se encontram no interior da residência? É uma intenção que perdura durante todo o relato. Parece algo construído, exclusivamente, para permitir que o leitor infira o recôndito do conto e reflita.

Possivelmente, aquelas frases que aparentam estar desconectadas, as que à primeira vista não encaixam, definitivamente, são muito importantes porque vinculam o que aparece ao que se omite. Como menciona Piglia, em relação à teoria do iceberg, numa tradução livre, “o mais importante nunca se conta.”

Qual estilo de escrita é mais interessante para você: clássico ou moderno? Deixe o seu comentário a respeito.

Como identificar o público-alvo de meus livros antes de divulgá-los?

Identificar o público-alvo do seu livro antes de partir para o processo de divulgação é essencial para garantir sucesso no mercado editorial. O livro é pensado em termos de forma e conteúdo para um determinado grupo de leitores e chegar até essas pessoas é muito importante para o autor. Como fazer isso envolve um processo dinâmico e instigante.

É importante pensar em algumas questões básicas que ajudam a compreender melhor quem é esse público-alvo e como estabelecer com ele uma relação mais produtiva. Como esse público se comporta, quais suas principais características e anseios? Como seu livro vai interferir na vida do público? Ele será uma aquisição útil em que medida?

Essas questões estão no centro do processo de publicação de uma obra literária e norteiam as estratégias para atingir um público-alvo de forma aprofundada. Alguns tópicos especiais merecem uma atenção redobrada. Quer saber mais? Confira!

Linguagem

A literatura infanto-juvenil, por exemplo, exige algumas adaptações para um público que se inicia no hábito da leitura e tem determinado apreço por temas mais lúdicos ou fantásticos, além de um cuidado com a linguagem para cativar essa faixa etária. É preciso conhecer a fundo seu leitor e estar em sintonia com a abordagem que o atraia.

Um livro com palavras complexas ou raciocínios de difícil compreensão afasta um leitor escolar, mas pode casar bem com um leitor acadêmico versado na área. Tudo depende de qual público-alvo está na mira.

Classificação indicativa

Pensar a linguagem na obra literária é adequá-la conjuntamente à faixa etária a que o livro se destina. Um jovem leitor está mais antenado nos tempos atuais com a chamada literatura jovem adulta (do inglês “young adult literature”) do que com o texto clássico tradicional.

Essas diferenças de interesse literário variam de acordo com a faixa etária, porém, não se trata de uma receita de bolo. É preciso ter em mente o quanto as pessoas são influenciáveis por amigos e familiares e de como esses gostos mudam com certa facilidade.

Gênero literário

Há diversos gêneros na literatura e muitos autores conseguem caminhar bem por vários deles. Porém, é comum que alguns gêneros se deem melhor nos nichos de mercado mais tradicionais e outros, mais ousados, consigam um público diferenciado. O importante é definir o gênero do seu livro com clareza para colocá-lo no mercado.

Literatura policial é um nicho muito relevante, que há décadas movimenta o mercado literário. Porém, atende um grupo de leitores com interesses em comum pelo suspense narrativo. É preciso conhecer esse público-alvo com profundidade para saber de que ele sente falta de ler nesse segmento e, assim, produzir algo novo e que chame atenção pela sua qualidade.

Utilidade do conteúdo

O conteúdo produzido, antes de chegar a uma versão final do texto, serviu a toda uma expectativa do autor em abordar um determinado tema e produzir algo relevante sobre ele. Essa utilidade do conteúdo produzido precisa estar clara, sabendo o que já foi feito no segmento e como o público-alvo recebeu essas obras publicadas.

Assim, há tempo para conceber algo que surpreenda o público e lhe garanta uma experiência de leitura prazerosa, não caindo na velha e fácil oportunidade de encher o mercado com títulos variados acerca de um mesmo aspecto da vida do leitor.

O público está sempre em constante mutação. Os leitores desenvolvem novos interesses e aptidões de acordo com as fases de suas vidas e, por isso, seus enfoques de leitura também mudam. Não se deve esquecer a necessidade de estar antenado com as novas tendências que surgem e podem ajudar a identificar o público-alvo do seu livro com mais clareza e objetividade.

Sente-se pronto para divulgar seu livro? Quer saber mais sobre o assunto? Então siga a nossa página no Facebook e fique por dentro!

Entenda a importância da figura do herói para histórias de sucesso

Quando pensamos na figura do herói, os primeiros nomes que costumam vir à mente são guerreiros como Hércules e Odisseu ou, ainda, personagens como os Vingadores e o Super-Homem.

No entanto, vale lembrar que o conceito vai muito além da ideia de um guerreiro que luta para proteger a justiça e o bem, sendo uma das peças fundamentais para a estrutura de uma história. Continue lendo para entender melhor a figura do herói e a sua importância!

A figura do herói

A ideia de herói tem origem nos mitos gregos, cujos guerreiros se destacam pelos seus poderes e ações que excedem a capacidade humana. Isso nem sempre quer dizer força física ou habilidades paranormais: para os gregos, atitudes altruístas e guiadas por uma lógica não egoísta eram uma demonstração do sagrado.

Talvez seja daí que venha a associação que fazemos, hoje em dia, entre a figura do herói, uma índole impecável e motivações nobres. Porém, quando falamos do herói de uma história, o conceito vai além disso.

No livro O Herói de Mil Faces, Joseph Campbell analisa uma espécie de “modelo” de herói que se repete em quase todos os mitos ao redor do mundo, com base nas teorias de Freud e Jung, fundadores da psicanálise. Desse modo, Campbell compreendeu que, na simbologia das mitologias, esse personagem representa a relação de uma pessoa com seu próprio ego e a superação dos seus limites.

Assim, um herói bem-sucedido, tanto no sentido clássico quanto na análise de Campbell, seria aquele que consegue dominar e transcender o próprio ego.

O anti-herói

Além de descrever esse modelo geral de herói (que recebe o nome de “arquétipo”), Campbell também identificou várias modalidades dessa figura que apareciam nas histórias. O anti-herói é uma das mais famosas dentre essas variações.

Como o nome indica, esse é o personagem que contraria os valores e a moral tradicionalmente associados ao herói grego, mas ocupa o mesmo papel na narrativa (vamos falar disso mais a fundo no próximo tópico). Em termos simples, trata-se de alguém marginalizado ou mal visto pela sociedade, mas com quem o público se identifica.

Esse conceito surgiu durante o período medieval e, não à toa, um grande exemplo é Macbeth, de Shakespeare. Já na literatura nacional, o personagem Macunaíma, de Mário de Andrade, é sempre lembrado. Na cultura popular atual, Walter White, da série Breaking Bad, é um dos anti-heróis mais amados.

A importância do herói para a história

Na estrutura da narrativa, o herói é responsável por causar identificação com o público. É a partir do ponto de vista desse personagem que o leitor ou espectador vai acessar e acompanhar a história.

Em muitos casos, é ele quem determina, também, os personagens secundários que entrarão em ação, pois, muitas vezes, eles representam facetas da personalidade (ou ego) do herói.

O mais comum é que a identificação com o herói seja utilizada para passar os ensinamentos ou reflexões da narrativa — quando o protagonista e o herói coincidem, aprendemos junto com o personagem.

No entanto, escritores habilidosos também podem se aproveitar dessa conexão para inverter a norma e causar tensões que enriquecem a narrativa ou dão início a reflexões no público.

Hitchcock faz isso com maestria no filme Psicose. Ao matar a suposta heroína do filme em menos de 30 minutos, ele deixa os espectadores “perdidos”, causando uma sensação de confusão e levando a audiência a se identificar com um personagem que se revela, ao final, ser o vilão da história.

Com base em tudo o que foi dito, não é exagero concluir que a figura do herói ocupa um papel central na narrativa e é responsável por fazer todo o resto se encaixar.

Tendo consciência da importância desse personagem e sabendo trabalhá-lo bem, o escritor consegue acrescentar conflitos, questionamentos e aprendizados da maneira certa para construir uma história inesquecível!

Para entender ainda mais sobre como trabalhar a figura do herói, existe um conceito imprescindível, também trabalhado por Joseph Campbell: a jornada do herói. Não deixe de conferir nosso artigo sobre o assunto!

5 elementos fundamentais para escrever um livro de suspense

Escrever um livro de suspense é o objetivo de muitos que se aventuram no fantástico mundo da ficção. Não é por menos, pois o gênero é um dos preferidos dos leitores mais assíduos da literatura universal.

Embora com estilos muito diferentes, Agatha Christie, Arthur Conan Doyle, Stephen King e Dan Brown são todos autores clássicos e consagrados de histórias de mistério.

E se você também quer escrever um livro de suspense, precisa compreender bem estes cinco elementos fundamentais que devem estar presentes na sua história. Confira!

1. O ponto de vista privilegiado do leitor

Enquanto desenvolve um livro de suspense, lembre-se sempre de deixar o seu leitor antecipado. Faça-o “ver” os pontos de vista tanto do protagonista quanto do antagonista.

Permitir que o leitor tenha uma visão privilegiada do desenvolvimento da história faz com que ele consiga enxergar os problemas antes do protagonista. Quem lê toma conhecimento das linhas de convergência entre o protagonista e o antagonista e sente as consequências dos perigos à frente.

Esta técnica causa tensão no leitor, permitindo que o escritor coloque uma carga emocional sobre ele. A tensão é construída a partir dos medos implicados por quem lê, pois sabe que o herói está rumando ao desastre.

2. Dilemas para a construção de tensão

O antagonista precisa jogar com o psicológico do protagonista, desafiando-o ou colocando-o à prova para difíceis escolhas e tomadas de decisão.

Um bom exemplo é quando ele tem que optar por salvar uma pessoa e deixar outra para morrer, ou quando se vê obrigado a realizar determinada ação que jurou nunca mais fazer.

O antagonista, por sua natureza inescrupulosa, ultrapassa seus limites sem pensar duas vezes. Porém, o protagonista possui suas questões morais e, como herói, ele não pode deixar pessoas inocentes morrerem sem antes lutar por suas vidas.

Um fator crucial na questão dos dilemas é que eles precisam de tempo para serem resolvidos, e com a pressão de um tempo restrito, a tensão se constrói. Portanto, use esse recurso de provocar o protagonista e sua história tem um suspense criado com sucesso.

3. O fator de tempo restrito

Já que tocamos no assunto da restrição de tempo no tópico anterior, este é outro recurso-chave para escrever um livro de suspense com muita tensão.

O protagonista precisa trabalhar contra o tempo, e o relógio deve ser um aliado do antagonista.

Nas histórias de Sherlock Holmes, Conan Doyle trabalhava este recurso com maestria. O famoso detetive tinha o relógio como seu principal inimigo, pois precisava correr contra o tempo para resolver os enigmas que, muitas vezes, envolviam vidas em perigo.

Outro exemplo bastante conhecido é no livro Anjos e Demônios, de Dan Brown, quando Robert Langdon corre contra o relógio para evitar que uma bomba de antimatéria exploda e destrua toda a cidade.

4. Altas expectativas

Manter as expectativas altas não significa, necessariamente, que a história precise passar pela maior tragédia global, como a aniquilação da raça humana. Mas ela precisa ser sobre uma crise devastadora para o mundo do protagonista.

O herói deve estar disposto a fazer o que for necessário para evitar que desastres ocorram. A crise tem que se mostrar importante para assegurar que os leitores sentirão empatia pelo protagonista.

5. Recurso da pressão

Outro elemento essencial para se escrever um livro de suspense é a pressão. O protagonista deve trabalhar com probabilidades que pareçam insuperáveis. Todas as suas habilidades e forças devem ser direcionadas ao ponto de ruptura para “salvar o dia”.

O herói fraqueja, mas se recompõe diante das pressões aplicadas pelo antagonista. Deve haver somente uma pessoa deixada sob a sensação de impotência diante da história: o leitor.

Escrever um livro de suspense não precisa ser difícil. Com boas práticas e seguindo essas dicas, você conseguirá construir uma história incrível e cativante. Só não se esqueça do principal elemento para um bom livro: escrever sempre. Diariamente.

Agora, deixe um comentário aí embaixo no post e conte-nos suas expectativas para escrever seu próximo livro com muito suspense.

4 dicas de português para escritores iniciantes

Você escreve nas horas vagas e sonha em se tornar um escritor conhecido e viver da literatura, mas não sabe por onde começar? Fique tranquilo, pois este texto lhe ajudará a dar bons passos rumo à sua primeira noite de autógrafos.

Escrever bem vai muito além de ter boa imaginação e facilidade em criar histórias e personagens. Uma concordância errada, uma crase esquecida ou uma vírgula mal colocada podem comprometer o texto e a credibilidade do escritor.

Por isso, todos os escritores iniciantes precisam ficar muito atentos às regras da língua portuguesa para chegarem à categoria de escritor profissional. Sendo assim, veja o que preparamos neste artigo com 4 dicas de português para escritores em início de carreira.

1. Deve-se ficar atento à crase

Vamos começar por esse recurso de nossa língua que tanto confunde os escritores. Primeiramente, saiba que só ocorre crase antes de palavras femininas, exceto quando a palavra “moda” estiver subentendida (ex.: sapatos à [moda de] Luís XV).

Deve existir crase também quando houver informação de hora: “o lançamento do livro mais esperado do ano começa às 10h”. Mas se o horário informado for antecedido das preposições “desde”, “para” e “até”, há uma exceção: saberemos que “o horário do lançamento do livro foi alterado para as 10h30”.

Lembre-se além disso de que ocorre crase antes de locuções adverbiais que expressam tempo, lugar e modo (ex.: “à tarde, vou à praia às pressas”).

E de vez em quando, faça um teste: troque o “à” por “ao” e o substantivo feminino por um masculino. Se a nova frase estiver adequada, a original contém crase (ex.: Entreguei a carta à professora/ao professor).

2. É de boa-fé usar hífen no lugar certo 

Um elemento que também costuma dar dor de cabeça é o hífen. Então atenção!

Na junção de palavras, todos os super-heróis sabem que se a segunda começa com “h”, antes dela vem o hífen. Assim, eles sempre evitam um contra-ataque, pois sabem que também existe hífen antes da segunda palavra, se ela começar com a mesma vogal que encerra a primeira. E esse poder é super-requintado, porque ocorre igualmente no caso de mesmas consoantes.

Heroísmos à parte, lembre também que o hífen deve aparecer:

  • nas palavras antecedidas pelos prefixos “ex”, “sem”, “além”, “recém”, “aquém”, “pré”, “pós”;
  • nas palavras com sufixos de origem tupi-guarani: “açu”, “mirim”, “guaçu”;
  • nas palavras que formam encadeamentos vocabulares: “eixo Rio-São Paulo”.    

3. As aspas dizem o “não-dito”

Já leu “textos” de “escritores” que colocam “um monte” de expressões “entre aspas”? Isso pode deixar qualquer um com “dúvidas”, pois não sabemos se o autor quis mesmo “dizer aquilo” ou “outra coisa”. 

Portanto, ao escrever, não se esqueça de que as aspas devem ser usadas quando você:

  1. abrir e fechar citações (“Minha pátria é a Língua Portuguesa”, já dizia Fernando Pessoa);
  2. destacar palavras usadas fora do contexto habitual (Paulo Coelho escreve “super” bem);
  3. delimitar títulos de obras, como por exemplo, músicas e livros (A canção “Construção”, de Chico Buarque, brinca com proparoxítonas);
  4. usar estrangeirismos, gírias, expressões populares, neologismos (Antes de “deletar” as fotos, vou fazer um “backup” delas).

4. Vírgula, a rainha da separação

Uns usam demais, outros usam de menos. A vírgula costuma dar mesmo um nó na cabeça dos escritores! Mas nem por isso você vai sofrer. Use esse sinal de pontuação para:

Separar explicações dentro de uma frase

  • A vírgula, que é um elemento da língua portuguesa, tem suas próprias regras.

Separar tempo, lugar e modo em começo de frase

  • No ano passado, li vários livros de literatura

Elencar diversos itens

  • Comprei cebola, tomate, alface, palmito e azeitona.

Porém, nunca separe o sujeito e o verbo com vírgula (ERRADO: Fulano, joga bola à tarde), a não ser, é claro, no caso de vocativo (chamamento): Fulano, venha jogar bola à tarde.

Viu só como escrever não é apenas deixar o pensamento rolar solto? Para fazer com que a sua obra seja bem entendida e interpretada pelos leitores, é fundamental conhecer a nossa língua. Por isso, aproveite essas regras básicas que apresentamos e nunca se esqueça de sempre contar também com a ajuda de uma boa gramática e de um bom dicionário.

Se você quer ver mais dicas como essas, siga-nos nas redes sociais e prepare-se para o sucesso!

Escritor iniciante: saiba como construir uma audiência de leitores

Para um escritor iniciante, construir e cuidar de sua audiência pode ser uma das experiências mais enriquecedoras da sua vida. Criar relacionamentos sinceros com leitores pode se tornar fonte abundante de feedback e inspiração.

Algumas ações de promoção, infelizmente, ainda são um tabu para os escritores, mas um número crescente vem construindo bases de fãs e tendo resultados, tanto em vendas quanto em experiências. Hoje, o marketing para autores é tão comum e necessário quanto para um músico ou atores que convidam para conhecermos seus trabalhos.

Não se engane: não é uma tarefa simples. Construir sua audiência demanda tempo e dedicação. Neste post, ajudaremos você a dar os primeiros passos na direção dos seus leitores. Confira!

Comece com um propósito

Quem escreve tem a ambição de ser lido. Ou seja, escreve para um público. Que tal pensar sobre suas razões para escrever, que ideias você quer desenvolver na sua obra, que tipo de pessoas pretende alcançar? Trabalhar em suas razões ajuda a fortalecer seu propósito de escrever e a identificar seu público.

Refletir sobre estas questões é um exercício de imaginação e também uma bússola sobre a direção a seguir na construção de uma audiência que se beneficie da sua produção. Causar impacto positivo na vida das pessoas é um dos propósitos da literatura.

Defina uma estratégia antes da tática

Após ter uma ideia das pessoas que você pretende alcançar, é hora de traçar a estratégia para fazer isso acontecer. Nos estágios iniciais da sua produção, talvez você queira estabelecer uma conversação ativa com seus primeiros leitores. Um blog que permita comentários dos visitantes pode ser um bom ponto de partida.

Se já tem um livro pronto para publicação, crie uma lista de e-mails com seus leitores iniciais, estabeleça seu nome através de um site e amplie sua presença através das mídias sociais. Expanda.

Você vai passar um bom tempo executando o que planejar nesta etapa. É onde seu conteúdo começa a ser divulgado e promovido. Aproveite bem os canais de acesso ao público on-line. As reações ao seu conteúdo e, especialmente, as suas respostas a estas reações já são o indício de uma audiência.

Crie uma presença online sólida

Não perca de vista suas metas de crescimento. Mas é importante tomar alguns cuidados para não se desestimular, ou desestimular seus leitores.

Tenha limites bem definidos

Os leitores têm a sensação de conhecer bem o escritor por achar que algo sobre ele se revela em seu trabalho. Isso pode criar uma falsa intimidade, que é desconfortável para qualquer escritor.

Estabeleça limites para suas interações. Fale sobre seu livro, responda a perguntas relacionadas ao trabalho ou vá a um encontro on-line com um clube de leitura. Mas nada de falar sobre família e outras intimidades. Corra de fofocas sobre outros escritores ou a indústria editorial.

Seja acessível

Seus leitores precisam saber como contatá-lo. Pode ser um formulário no blog, um endereço de e-mail ou uma caixa postal. Muitos leitores gostam de expressar como o livro os impactou. Então, permita que eles digam. Deixe clara e visível sua maneira preferida de ser contatado.

Dê feedback

Se alguém escrever a você, responda pelo menos com um comentário rápido. Algo simples, como: “Oi, lamento não poder mandar uma resposta longa, estou escrevendo meu próximo livro. Muito obrigado!”.

Se tiver tempo, responda com relevância e comece uma interação verdadeira. Seus fãs vão se gabar disso com os amigos, multiplicando seu alcance.

Seja educado

Fique atento quando alguém escrever um texto mais longo sobre o seu trabalho, e agradeça sempre (independentemente de o texto ser positivo ou negativo). Agradeça pelo tempo dedicado a ler e comentar seu trabalho.

A reação costuma ser de surpresa por ser tratado de maneira agradável. É comum nascer daí uma conversa longa e interessante que pode ser aproveitada por você. Afinal, as críticas negativas, em geral, tendem a ser uma boa fonte de aprimoramento.

Para um escritor iniciante, construir relacionamentos com seus primeiros leitores pode ser divertido. É gratificante ver suas palavras acenderem a imaginação de outras pessoas e conquistando cada vez mais público.

Não tenha medo de se promover. Ter mais leitores fará com que você escreva ainda mais! Gostou das nossas dicas? Assine nossa newsletter para receber mais conteúdos como este!

Conheça o estilo de literatura barroca e seus principais autores

Por volta de 1600, a cultura europeia gerou um novo estilo artístico, conhecido como barroco. A tradução literal do termo barroco significa “irregular”, que demonstra que o estilo era considerado indisciplinado para os padrões do século XVII.

Mais tarde, o barroco se tornaria popular entre as cortes reais, simbolizando o poder emergente e grandioso dos novos monarcas. Esse estilo influenciou a pintura, a arquitetura e até a música da época.

Neste post, você verá os assuntos mais importantes, como o contexto histórico, além dos símbolos, características e estilos da literatura barroca. Quer saber mais sobre esse importante tipo de literatura para ser um escritor melhor? Continue a leitura e saiba mais!

O contexto do início do século XVII

O cenário era de crise política, econômica, social e religiosa. Lutero sacudiu as bases da igreja católica na Alemanha, e Calvino fez o mesmo na França. O Brasil, a princípio, não dava o lucro que Portugal esperava, e as grandes navegações começaram o seu declínio. Resumindo: os valores renascentistas ficaram em baixa, dando espaço para uma nova proposta.

O simbolismo

Diante da grande crise, o homem é obrigado a refletir. Com a reflexão, vem o conflito. O corpo e a alma, o homem e Deus, o antropocentrismo e o teocentrismo, o bem e o mal, o claro e o escuro, e mais uma série de dúvidas povoavam a imaginação das pessoas.

Na dúvida, dois estilos

Podemos separar a literatura barroca em dois estilos:

  • Barroco Cultismo: uso da linguagem culta e muito ligado à forma. Tem como maior influenciador o poeta espanhol Luis de Góngora;

  • Barroco Conceptismo: uso do raciocínio lógico e muito ligado ao conteúdo. Tem como maior influenciador o também poeta espanhol Francisco Quevedo.

Características

As principais características da literatura barroca são: pessimismo (do pó veio, ao pó voltarás), religiosidade (o homem pecador em busca da salvação), particularismo (o que é nacional possui mais valor), feísmo (o horrível pode ser belo), entre outras. Vale ressaltar que a literatura barroca usava e abusava de figuras de linguagem, metáforas, elipses, antíteses, paradoxos e hipérboles.

Além disso, esse estilo de literatura conta com características como fugacidade, conflito entre o corpo e a alma, rebuscamento da linguagem e moralismo. Veja como isso funciona!

Fugacidade

A fugacidade é uma concepção barroca que acredita que todas as coisas no mundo são instáveis e passageiras. Ou seja, tudo quanto se conhece no mundo muda, bem como as pessoas.

Contrastes

Pode-se dizer que o Barroco é uma arte de contraste e conflito. Expressa os diversos contrastes que regulam a experiência e existência humana, como: corpo x alma; vida x morte; fé x razão; Deus x Diabo. É possível ver esses contrastes nas produções barrocas, usando o jogo, palavras, conceitos e contrastes de imagens. Entretanto, os artistas não desejam apenas mostrar os contraditórios, mas também trazer conciliação. 

Rebuscamento da linguagem

A linguagem barroca é rebuscada e extremamente trabalhada. Utiliza diversos recursos de estilo, além de trabalhar com figuras de linguagem, hipérboles, antíteses, paradoxos e metáforas.

Moralismo

Como era utilizada por padres jesuítas com o intuito de pregar a religião e a fé cristã, a literatura é apresentada de forma moralista.

O Barroco no Brasil

Logo em 1601, o escritor Bento Teixeira publica a épica Prosopopeia.

Trecho de Prosopopeia:

A Lâmpada do Sol tinha encuberto,

Ao Mundo, sua luz serena e pura,

E a irmã dos três nomes descuberto

A sua tersa e circular figura.

Lá do portal de Dite, sempre aberto,

Tinha chegado, com a noite escura,

Morfeu, que com subtis e lentos passos

Atar vem dos mortais os membros lassos.

Outro autor que ficou marcado no barroco nacional foi Gregório de Matos, o famoso Boca do Inferno.

Trecho de Triste Bahia:

Triste Bahia!

Ó quão dessemelhante

Estás e estou do nosso antigo estado!

Pobre te vejo a ti, tu a mi abundante.

O advogado e poeta barroco Manuel Botelho de Oliveira foi o primeiro autor nascido em solo brasileiro a publicar um livro.

Trecho de A Vida Solitária:

Que doce vida, que gentil ventura,

Que bem suave, que descanso eterno,

Da paz armado, livre do governo,

Se logra alegre, firme se assegura!

Frei Vicente de Salvador foi um historiador, cronista e religioso baiano. Ele exerceu cargos de cônego, governador do bispado do estado e vigário-geral. Uma das suas obras mais conhecidas é a “História do Brasil” que foi dividida em cinco livros e narra a forma de vida na colônia, mostrando momentos interessantes dos primeiros governadores, além de registrar anedotas e a forma de falar e viver em um lugar ainda novo.

Trecho de História do Brasil:

Inopem me copia facit, disse o poeta, e disse verdade, porque, onde as coisas são muitas, é forçado que se percam, como acontece ao que vindima a vinha fértil e abundante de fruto, que sempre lhe ficam muitos cachos de rabisco e assim me há sucedido com as coisas de mar e terra do Brasil de que trato. Pelo que me é necessário rabiscar ainda algumas, que farei neste capítulo, que quanto a todas é impossível relatá-las.

Faz no Brasil sal não só em salinas artificiais, mas em outras naturais, como no Cabo Frio e além do Rio Grande, onde se acha coalhado em grandes pedras muito e muito alvas.

Faz-se também muita cal, assim de pedra do mar como da terra, e de cascas de ostras que o gentio antigamente comia e se acham hoje montes delas cobertos de arvoredos, donde se tira e se coze engradada entre madeira com muita facilidade.

Há tucum, que são umas folhas quase de dois palmos de comprido, donde, só com a mão, sem outro artifício, se tira pita rijíssima, e cada folha dá uma estriga.

Frei Manuel da Santa Maria de Itaparica foi um poeta barroco brasileiro e um frade franciscano. Embora não se conheça muito da sua vida, sabe-se que foi professor na Ordem dos Frades Menores e, depois, dedicou-se à pregação. O frade foi influenciado por Camões e foi autor de “Eustáquios”, um poema sacro e que descreve o inferno e a ilha de Itaparica, termo usado em referência à cidade da Bahia.

Trecho de Eustáquios

Em o Brasil, Província desejada

Pelo metal luzente, que em si cria,

Que antigamente descoberta e achada

Foi de Cabral, que os mares discorria,

Perto donde está hoje situada

A opulenta e ilustríssima Bahia,

Jaz a ilha chamada Itaparica,

A qual no nome tem também ser rica.

 

Está posta bem defronte da Cidade,

Só três léguas distante e os moradores

Daquela a esta vêm com brevidade,

Se não faltam do Zéfiro os favores;

E ainda quando com ferocidade

Éolo está mostrando os seus rigores,

Para a Côrte navegam, sem que cessem,

E parece que os ventos lhe obedecem.

Agora que você sabe mais sobre literatura barroca, está pronto para dar um próximo passo. Escolha um bom autor e comece a ler. Dessa forma, será mais fácil para você escrever, ainda que seja um romance moderno. Mesmo os autores atuais bebem das fontes antigas. Por isso, não despreze a leitura de grandes obras.

Você já leu algum desses livros? O que achou? Comente agora mesmo este post e conte um pouco mais sobre sua experiência de leitura! Esperamos por você!

Saiba quais gêneros literários são mais lidos no Brasil e no mundo

Mesmo que a literatura não seja exatamente o hobby mais popular no Brasil, pesquisas recentes apontam um crescimento constante de leitores nos últimos anos, mostrando um potencial otimista para os livros e seus autores aqui no país.

Você sabia que os gêneros literários mais lidos pelos brasileiros são um tanto diferentes dos best-sellers no resto do mundo? No post de hoje, vamos falar sobre os tipos de livros que mais fazem sucesso aqui no Brasil em comparação aos mundialmente mais populares. Continue a leitura!

Os gêneros literários mais lidos no Brasil

A literatura mais popular em nosso país é a de ficção. Dividindo o gênero em segmentos mais específicos, temos o infantojuvenil como um dos mais apreciados, alcançando 8,4% do total de livros vendidos em 2013, segundo reportagem da Folha.

O segmento infantojuvenil fica atrás apenas da “literatura estrangeira”, com 21% das vendas. Essa determinação, entretanto, não é consenso entre todas as agências que realizam esse tipo de pesquisa, visto que o conceito de literatura estrangeira é abrangente e engloba muitos outros gêneros dependendo das métricas.

Por isso, seu número acaba ficando inflado e ele “rouba” algumas das vendas que poderiam ter sido contadas como sendo de outros gêneros. A maioria dos títulos infantojuvenis, por exemplo, vêm de fora e podem ser considerados, também, literatura estrangeira, dependendo de quem faz a análise.

Um infográfico feito pela Innovare Pesquisa e postado pelo Shereland mostra números que reafirmam esse gosto dos brasileiros. Nas métricas da Innovare, o gênero de ficção aparece como o mais vendido, com 7,87% das vendas, e ele certamente abrange a maioria dos títulos infantojuvenis publicados.

É fácil listar alguns exemplos do reconhecido sucesso do segmento infantojuvenil e que podem ser considerados, também, ficção e literatura estrangeira. São livros de séries como Harry Potter, Jogos Vorazes e Crepúsculo. O último lançamento da série de J.K. Rowling, chamado “Harry Potter e a Criança Amaldiçoada”, figura como líder absoluto dos títulos mais vendidos no último mês.

Os gêneros literários mais lidos no mundo

O gênero literário que mais cresce no mundo é o da autoajuda, segundo a Super Interessante. No ranking linkado acima, mesmo o segundo colocado por aqui já é pertencente a esse tipo de literatura.

Um bom exemplo aqui é “O Livro Vermelho”, de Mao Tsé-Tung. Enquanto a obra em si foi concebida muito antes de autoajuda se tornar um gênero, seu esmagador sucesso que perdura até hoje pode ser atribuído a um grande número de pessoas procurando o melhoramento pessoal por meio das palavras e citações do filósofo chinês. Segundo o Shereland, o título aparece como o segundo livro mais vendido do mundo nos últimos 50 anos, com 820 milhões de cópias distribuídas, ficando atrás somente da “Bíblia Sagrada”.

E então, estes foram os gêneros literários mais lidos que você esperava ver aqui no Brasil e no resto do mundo?

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