O autor Gonzalo Bolliger, professor, lança a obra “Um Gato no País dos Evangélicos”. No livro, Gonzalo, faz uma crítica brutal à sociedade atual com deboche e exagero, muitas vezes de forma proposital, onde critica a aborda a hipocrisia, a ganância, o preconceito e a burrice de muitas parcelas conservadoras da nossa sociedade.
Em entrevista ao Blog Autografia, Gonzalo conta mais sobre sua trajetória e sobre o tema do livro: “ Nasci no Peru mas moro desde os 4 anos no Brasil; passei a maior parte em Campinas, mas nos meus 20 morei muitos anos em São Paulo; estudei Letras na USP, onde por inércia demorei vários anos para me formar e esse, para bem e para mal, foi o tempo em que vivi mais intensamente; além de escritor, trabalho como professor de espanhol e com traduções; ao contrário de muitos artistas contemporâneos, não tenho interesse por seguir carreira acadêmica; quase nunca participo de concursos literários; sou apaixonado por literatura e música, principalmente rock; gosto de saber sobre diversos assuntos como psicologia, biologia, história, antropologia etc; não sigo em meus escritos o politicamente correto.”
“Imagino que seja um livro forte para muitos leitores. E imagino que muitas pessoas evangélicas ou com familiares ou amigos evangélicos possam se sentir ofendidos. Não sou chegado a histórias de superação ou a personagens muito bonzinhos; então isso imagino que choque um pouco também; principalmente porque muitos autores hoje em dia veem a arte com certa função educativa e os personagens como modelos a serem seguidos. E aqui foi tudo o contrário. A intenção foi ser uma crítica brutal à sociedade atual.”
A inspiração para Gonzalo escrever o livro veio de uma história que escutou: “A ideia do livro surgiu quando um amigo escritor falou de uma história que tinha pensado sobre um gato que vive numa mansão de um pastor evangélico e vê como a mulher deste vai se sentindo abandonada pelo marido e se apaixonando por uma estátua da casa. Perguntei: pode plagiar? E ele falou não. Então peguei a ideia base e fiz uma história bem diferente. Essa história, por sua vez, surgiu quando escrevi a primeira página em um processo quase de associação livre e coloquei a imagem das múmias. E aí veio a questão: como conectar tudo? E daí foi surgindo toda a narrativa.”
Gonzalo relata ainda como foi seu processo de escrita: “Foi árduo no começo, porque eu tinha o ambiente da história (a mansão do pastor), os personagens, a crítica social, os acontecimentos principais que marcavam a história. Mas eu tinha um elemento estranho (as múmias) que eu tinha colocado por inspiração e que eu tinha que relacionar com o resto da história. E, por outro lado, eu tinha que dar uma causa plausível aos acontecimentos. Esses dois fatores fizeram que eu gastasse um bom tempo para conseguir formar um todo. Tive que fazer várias manobras narrativas para deixar a história coesa.”
Para Gonzalo, publicar o livro traz um misto de ansiedade e esperança:” Escrevo desde muito cedo, tenho obras terminadas faz tempo, inclusive esta (que comecei em 2015 e terminei em 2018), e por isso é uma inquietude acumulada por anos. Desejo que o livro tenha uma recepção ampla e imediata, porque trata de assuntos pertinentes ao tempo que vivemos. Então seria mais interessante que fosse lida agora. Porém sei que essa possibilidade é remota. É um livro cruel, cínico e que destoa da maioria dos tipos de livros mais lidos nos últimos anos.”
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