Autora aborda em seu livro discursos bem orquestrados de uma falsa moral

A autora Rosilda Pereira sempre esteve envolvida no mundo da leitura e da escrita e lança a obra: “A Semente”.

Em entrevista ao Blog Autografia, Rosilda conta mais sobre sua trajetória e sobre o tema do livro: “A minha trajetória pessoal foi marcada por muitos desafios, sobretudo para estudar, este foi um dos fatores que inviabilizou a construção de uma carreira profissional sólida. Só consegui entrar numa universidade quando estava com quase 30 anos e já tinha uma família constituída.”

“Com poucos recursos financeiros, com duas filhas pequenas, casada com um militar, cuja carreira obriga a família toda a se adequar às constantes mudanças de cidades e às vezes até de país, não me sobrou outra alternativa e não ser estar à disposição para estas necessidades, deixando para segundo plano o sonho de ter uma profissão reconhecida. Digo ‘sonho’ porque sempre sonhei ser reconhecida profissionalmente.”

“No entanto, não ter uma carreira profissional não quer dizer que eu não tenha desempenhado outras atividades além das domésticas. Até porque sempre precisei complementar a renda familiar. Fui costureira, artesã, organizadora de festas. Embora tenha feito tudo isso com muito esmero, estas atividades não me levaram a uma projeção ou realização profissional.”

“Até que veio a pandemia da Covid-19 que no Brasil só foi considerada preocupante no início de 2020 e fez muita gente repensar a própria vida, comigo não foi diferente. Nessa época eu já estava um pouco descontente com o rumo que as coisas tinham tomado.”

“Na minha vida privada a rotina voltada quase exclusivamente aos cuidados da família, havia me cansado e parecia não fazer mais sentido. Ainda tinham os acontecimentos a nível de Brasil: as questões políticas, econômicas, entre outras que vinham há tempo me incomodando e durante a pandemia se mesclaram com as minhas inquietações pessoais e familiares.”

“Foi aí que senti que precisava mudar urgentemente um pouco o rumo da minha trajetória e ir para além daquele momento em que estava vivendo. Então, deixei tudo para segundo plano e decidi que colocaria em prática um projeto antigo que eu tinha, o de escrever um livro.”

“Estipulei um prazo para fazer isso e torná-lo público, quando eu completasse 50 anos, no ano seguinte, em 2021, e este livro seria sobre a minha vida. Minha obra é uma autobiografia contextualizada, ou seja, situa a minha trajetória de vida aos acontecimentos mais importantes do país nos últimos anos, sobretudo aqueles que são relevantes para a história retratada.”

“O livro, a meu ver, é bem completo quanto a estrutura física, possui prefácio, prólogo, introdução e posfácio. A história em si, está dividida em cinco partes, sendo que cada uma das partes é marcada por um acontecimento ou mudança significativa na minha trajetória.”

“O relato é linear, pois tudo começa com as primeiras lembranças da vida e conforme vai transcorrendo vem o amadurecimento e a percepção do que acontecia comigo e com as coisas à minha volta. Talvez, por isso, a obra além de biográfica é também um romance de formação, já que não deixa de ser o retrato da formação da minha identidade.”

A inspiração para Rosilda escrever o livro veio da sua vida, do seu cotidiano: “Algumas coisas me trazem inspiração, sobretudo os elementos da natureza: as flores, os rios, a terra; não é por acaso que o meu livro se chama ‘A Semente’. Para escrevê-lo, porém, acho que fui movida mais por indignação do que por inspiração.”

“De repente comecei a perceber que algumas coisas que eu acreditava que tinham sido abolidas da nossa sociedade estavam voltando à tona, e invadindo todos os espaços (físicos e virtuais) e interferindo profundamente nas relações, inclusive dentro do lugar que eu mais prezo: a minha casa.”

“Falo do preconceito, da misoginia, da intolerância, do negacionismo, falta de empatia, entre outros, tudo envolto em discursos bem orquestrados de uma falsa moral. Estas questões há tempos vinham me incomodando, mas devido o espaço que ganharam, sobretudo nas redes sociais, durante a pandemia, começaram a me preocupar e eu tinha elementos suficientes na minha história de vida para isso. Não tive dúvidas que deveria fazer algo, não somente para sair daquele desconforto, mas sobretudo, alertar sobre o perigo que estávamos vivendo.”

A autora ainda conta mais sobre o processo de produção do livro: “O processo de produção do livro foi bastante desafiador. Eu não tinha muita coisa a meu favor além das minhas ideias. Para começar, eu nem sequer tinha um bom computador e muito menos um domínio desta máquina; tive que ir aprendendo ao longo do processo.”

“Além disso, estava desatualizada, intelectualmente falando. Há tempos não lia um livro até o fim e para escrever um é preciso ter uma boa bagagem de leitura, de preferência atualizada. Então selecionei diversos títulos, uns 50. Pelo menos 30 deles li na íntegra durante o processo de escrita, já outros utilizei como material de consulta. Não se engane quem pensa que escrever a própria história é fácil: é mais difícil do que parece.”

“Claro que tive contribuições valiosas nesta transição de uma dona de casa para uma escritora, sobretudo na parte mais técnica. Néstor, meu genro, foi o intermediador entre o notebook e eu. Técnico em informática, mesmo morando em outro país, me deu o maior suporte neste sentido.”

“Já a minha filha, Aline, também morando fora do país, se incumbiu das correções e melhoramento dos textos, e foi sem dúvida uma grande parceira e uma colaboradora importante em todo o processo de produção do livro. Além dos já mencionados desafios, havia também a questão do mercado editorial, um que eu não conhecia. Não restou outra alternativa a não ser pesquisar muito e contar com um pouco de sorte.”

Para Rosilda, publicar o livro traz a sensação de expectativa: “A sensação que tenho agora, depois do livro publicado, é de dever cumprido, mas também de muita responsabilidade, já que a obra aborda muitos assuntos e eu sou responsável por tudo o que escrevi.”

“Minhas expectativas com relação ao livro são: vendê-lo para recuperar o investimento que fiz e paralelamente a isso, promover discussões sobre os temas abordados na obra, os quais considero importantes serem repensados. Primeiramente, penso que devo agradecer a todas as pessoas que se dispõem a ler um livro de um escritor ou escritora iniciante como eu.”

“Sabemos que no nosso país não há incentivo à leitura. Em segundo lugar, quero pedir que quando lerem livros destes aventureiros e corajosos escritores ‘sem nomes reconhecidos’, assim como eu, se a leitura fizer algum sentido, ajudem-nos divulgando, indicando ou até presenteando alguém com o livro”, finaliza.

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.