Mistérios que rondam o imaginário popular brasileiro, lendas que ganham novas roupagens e um toque sombrio que instiga o leitor do começo ao fim. Assim é Páginas de Mistério, livro de estreia de Henrique Sene, publicado pela editora Autografia. Conversamos com o autor, que compartilhou um pouco da sua trajetória, suas inspirações e o processo de dar vida a essa coletânea inquietante e profundamente brasileira.
Apesar de atuar profissionalmente em uma área técnica — é formado em Processos Gerenciais e trabalha como Gerente de Projetos em uma agência digital —, Henrique sempre teve um fascínio especial pelo que escapa à lógica. “Na minha adolescência, fui atraído por histórias de terror e ficção científica — o que é irônico, já que, na infância, eu era daqueles que apagava a luz e saía correndo”, brinca. Com o tempo, o medo virou curiosidade. E a curiosidade, virou narrativa.
Páginas de Mistério reúne contos que transitam entre o terror, o realismo fantástico e o folclore nacional. Cada história se passa em uma época diferente e em regiões distintas do Brasil, reinterpretando lendas urbanas e mitos com uma nova abordagem. “O leitor vai encontrar desde figuras emblemáticas como a Cuca e a Pisadeira até criaturas mais veladas, que se escondem nas entrelinhas e exigem um olhar mais atento para serem desvendadas”, explica Henrique.
A motivação para criar o livro veio de uma lacuna percebida pelo autor como leitor. “Sentia falta de obras que explorassem o terror e a ficção científica sob uma ótica genuinamente brasileira”, conta. A obra mistura influências diversas, como a densidade psicológica de Edgar Allan Poe, o realismo mágico de Gabriel García Márquez e as narrativas orais escutadas ao longo da vida. O resultado é um livro que, ao mesmo tempo em que mergulha no estranho, traz ao leitor um sentimento de familiaridade.
O processo de escrita foi espontâneo e, por vezes, demorado. Henrique começou com um conto isolado, sem imaginar que ali estava nascendo uma coletânea. “Conforme as ideias surgiam e os temas se conectavam, percebi que havia um fio condutor”, relembra. Apesar de ter escrito tudo sozinho, ele destaca a importância dos amigos que leram os textos, ofereceram críticas sinceras e o incentivaram nos momentos de dúvida.
A publicação de Páginas de Mistério veio quase como um acaso — mas um acaso feliz. “Enviei o projeto para a Autografia sem grandes expectativas, e fui surpreendido com a aprovação. Ver o livro materializado é uma sensação quase surreal”, diz o autor. Agora, ele se dedica à divulgação, planejando ações de mídia e vídeos curtos para apresentar a obra a novos leitores.
Com um convite que mistura provocação e poesia, Henrique deixa um recado aos leitores:
“Espero que Páginas de Mistério assombre — e encante — seus sonhos. Que cada conto reverbere por um tempo, como um sussurro persistente no fundo da mente. Boa leitura… e cuidado ao apagar as luzes.”
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